Publicado em 25.08.2016 - comunicados - Sem comentários

Temos grande responsabilidade como diretores de um colégio onde quase mil alunos estão matriculados. Sendo assim, cabe-nos, questionar, refletir, planejar, executar, avaliar, coordenar e orientar. Esses fatores nos levam a assumir perante os pais, um papel definido. Cobram-nos ações e posicionamentos, exigem, cada vez mais, atuação em todos os setores, visando à maior perfeição do colégio como um todo, e especificamente da equipe de professores e funcionários que colaboram na administração e na educação de seus filhos.

De cada pai, além da confiança, recebemos a esperança de uma aprimorada educação para seus filhos e, nesta ânsia de querer o melhor, entende-se que, em 4 horas diárias, podemos modificar comportamentos influenciados por vinte horas no seio familiar. Como não há uniformidade de pensamentos, surgem questionamentos com relação à liberdade, responsabilidade, castigos, repreensões, repetência, recuperação, conceituação, cobranças e deveres que provocam críticas negativas e positivas ao nosso trabalho, que na maioria das vezes, contribuem para aprimorarmos nosso desempenho e do aluno.

Como diretores, temos que defender a verdade, embora dela não sejamos donos. Cabe-nos apresentar nossa filosofia educacional para que toda a escola a tenha como referência a fim de elaborar os objetivos gerais da educação que desejamos transmitir, determinar currículos, aprovar conteúdos programáticos e planejar, avaliar e executar todo o planejamento anual e, além disso, caminhar lado a lado com alunos e docentes visando à otimização dos nossos projetos. Os coordenadores e orientadores exercem um papel preponderante, colaborando no sentido de manter vivas as nossas propostas, procurando aperfeiçoá-las e atualizá-las, objetivando uma educação voltada para as características do século XXI.

A escola deve ser a imagem de seus diretores. Por isso, em todas as ações têm de estar evidentes a segurança, a firmeza e a convicção dos dirigentes. Por entendermos que o diálogo é fundamental, promovemos encontros particulares entre pais e professores, evitando ao máximo as reuniões nas quais poucos pais podem fazer uso da palavra. A maioria dos problemas dos alunos, por questão de ética, não podem ser apontados e esclarecidos. Nesses encontros, procuramos respeitar a individualidade e preservar a privacidade de cada um. Estejam certos de que a arrogância não faz parte de nossas ações.

Muitas vezes, ouvimos dizer que o colégio é antiquado, tradicional e exigente. Concordamos com o antiquado porque muitos conceitos que, hoje, são propostos como modernos, surgiram em séculos anteriores. Concordamos com o “tradicional” porque a tradição é o sustentáculo da ordem, união e grandeza de uma nação. Um país não se desenvolve sem que a sua tradição seja prestigiada. Aceitamos o exigente, pois é exigindo que podemos manter nosso padrão de ensino e as ações que contribuem para sua cidadania.

A escola evoluiu. Entretanto, em 4 horas diárias, não podemos implantar todos os nossos ideais. Procuramos, nesse período, dar o máximo, sabendo que é um mínimo para praticar a dinâmica necessária voltada para a eficiência. Em 200 dias letivos, não podemos colocar em prática todos os nossos projetos. Ainda assim, temos a certeza de poder garantir um altíssimo nível de ensino e instrução. Contudo, para que esse nível seja mantido, é indispensável que os pais acompanhem, como supervisores, as tarefas propostas para casa, os resultados das provas, testes e as observações contidas nos boletins. Pudemos constatar que a omissão dos pais tem sido uma causa frequente do fracasso escolar dos filhos. Quase sempre, em função das obrigações profissionais ou mesmo da administração de outros aspectos da vida familiar, resta pouco ou nenhum tempo para acompanhar, atentamente, o desempenho escolar dos filhos.

Há vezes em que um incentivo, uma demonstração de apreço, ou mesmo de exigência carinhosa podem provocar mudanças de atitude positivas inesperadas.

As críticas são fundamentais. O diálogo indispensável. O apoio é básico para a continuidade da nossa obra. Não nos parece justo que um trabalho realizado com tanto ideal e dedicação possa ser questionado sem que seja analisado minuciosamente. É essencial que haja sempre um clima de cordialidade e cumplicidade entre pais e professores, pois todos almejam os mesmos objetivos. Cumpre-nos mostrar-lhes o quanto gostamos das crianças e adolescentes que convivem conosco. Sofremos pelas histórias tristes de cada, mas sempre compartilhamos de suas alegrias, naturais e espontâneas.

Embora cada planejamento pareça caracterizado pela frieza dos dados de um simples papel e do seu conteúdo, procuramos enchê-lo de ideal, de vida e de mensagens pacificadoras, para que nossos alunos possam sentir e vivenciar emoções agradáveis, percebendo a grande importância da vida. Não nos esquecemos de procurar suavizar, por momentos, as tristezas que envolvem os que sofrem por causa de desajustes no lar e por situações difíceis que tenham passado.

Um sorriso, um afeto, uma palavra amiga e, às vezes, uma repreensão, a exigência do cumprimento do dever. Imbuídos do espírito fraterno, cordial e, até mesmo, com matizes paternais, caracterizam o relacionamento escola-aluno.

A escola é um pequeno mundo. Nele, várias situações que caracterizam a sociedade em que vivemos são criadas, surgem, inesperadamente. São brigas entre amigos, desavenças entre colegas, agressões inconseqüentes, um abraço, o aperto de mão, o sorriso, a verdade, a falsidade, a compreensão, a incompreensão, o desajuste, o desequilíbrio, o afeto. A cada fato, a cada ato, a cada sentimento, encontramos oportunidade para educar, preparar para a vida, mostrar caminhos e enaltecer a paz. Por não estarem junto a nós, nestes belos momentos, muitos pais desconhecem nossas ações. Mais tarde, quando seus filhos, já adultos, puderem mostrar, por meio de ações, as atitudes neles incorporadas através do tempo, é que poderão valorizar a atuação da escola. Neste momento, seremos nós que deixaremos de presenciar essas belas fases de suas vidas.

Temos de levar à criança e ao adolescente, a cada 200 dias letivos, uma gama de informações básicas para o seu desenvolvimento, atuar nos mais diversos campos das ciências e, ainda, penetrar nos seus mundos interiores. Devemos estar atentos aos aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores de cada um e de caminhar com ele através das artes, da informática, das ciências sociais, físicas e biológicas, dos esportes e lazer. Enfim, em 800 horas anuais, propomo-nos contribuir para a formação integral e integrante do educando. Mas, para isso, há que se planejar, estudar, atualizar, executar. Além das 800 horas de dedicação ao aluno, quantas serão necessárias para planejar? As coordenações são imprescindíveis neste momento, pois se empenham para apresentar um trabalho digno, honesto e sério. Os professores, unidos, começam a planejar suas aulas e projetos, visando à manutenção do nível de qualidade do nosso ensino. Há que se reconhecer que têm de elaborar o mesmo nas várias outras escolas em que trabalham. Por exigência da situação econômica, são obrigados a se deslocar para as diferentes escolas em que atuam. São centenas de provas a serem preparadas e corrigidas e dezenas de aulas para elaborar e executar. Quase sempre, nos finais de semana, deixam de se dedicar à família para cumprirem o seu dever profissional. É trabalhoso, mas gratificante. Prejudicamos, repetidas vezes, o convívio familiar, em função de um ideal. Por isso, a decepção e a tristeza quando recebemos críticas severas, agressivas ou injustas. Por isso, a alegria e exaltação quando recebemos o apoio, a orientação, o incentivo e críticas construtivas, em que nossas falhas são apontadas com educação e respeito. E, por recebermos tanto apoio, compreensão e estímulo, continuamos o nosso trabalho ininterrupto, pois, a cada término de ano, devemos estar com tudo planejado para o ano seguinte.

A atualização se faz necessária, para acompanharmos as rápidas transformações socioculturais que a sociedade impõe. Dentre essas transformações, surgem ferramentas que, mal utilizadas podem causar muitas polêmicas.

Houve um tempo em que eu comentei: levam-se anos e anos para construir, mas, em segundos, se destrói todo o conceito de que gozamos perante a comunidade. Hoje, comento: levamos anos e anos para construir, mas um whatsapp, às vezes, mal colocado, destrói respeito que conquistamos perante os pais.

Dentro dos nossos princípios, baseados na nossa filosofia humanista, convictos dos nossos ideais democráticos e certos de que cumprimos honesta e dignamente o nosso dever, colocamo-nos a seu inteiro dispor para dialogar em benefício de uma escola melhor e agradecer as sugestões e críticas que nos apresentarem.

O homem marca a sua existência através de sua obra.

Reynaldo Mattoso Cavalcanti