|
|||||
|
|
![]() Antes de iniciarmos nossa exposição, é importante prestar alguns esclarecimentos a respeito da diferença entre métodos e teorias de ensino-aprendizagem. Enquanto as teorias da aprendizagem se concentram em estudar modelos da maneira como o ser humano aprende, os métodos pedagógicos indicam os procedimentos a serem adotados, visando à aplicação das teorias, estabelecidos nos projetos pedagógicos. Nas diferentes épocas da história da humanidade podem ser identificadas fases da evolução humana: o tempo do TER, do SER e do ESTAR. Hoje há uma busca incessante pela convivência pacífica nos relacionamentos sociais. Entretanto, constatamos que todas aquelas fases se aglutinam num mesmo espaço social, evidentemente com outras características e investigações. Ao mesmo tempo em que o ser humano se deixa influenciar pelo consumismo obsessivo, também procura e questiona novos conhecimentos da essência do seu SER e se descobre estar “no” e “com” o mundo. Percebe-se que todos esses fatores inter-relacionados interferem diretamente no desejado momento do CONVIVER. Essa aglutinação provoca no indivíduo muitos conflitos, geradores de problemas psicossociais, exigindo de cientistas, teóricos e educadores muitas pesquisas visando ao aperfeiçoamento do ser humano. A crise de identidade se faz presente na adolescência, fase em que as rápidas mutações sociais provocam interferências no comportamento humano. Entramos na civilização da imagem e da informática que, sem dúvida, exercem acentuada influência na reformulação dos princípios da educação, essencialmente nos processos de ensino-aprendizagem. Através dessa linha de pensamento, o Colégio Marília Mattoso tem a sua proposta educacional sempre voltada para o DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA, através de uma visão de EDUCAÇÃO COMPARTILHADA que requer uma cumplicidade com a educação efetiva em que todos se unam em torno do PARTILHAR. Devido a sua importância, a educação ambiental e a cultura afro-brasileira sempre serão partes integrantes de nossas propostas pedagógicas. Na educação compartilhada, devemos despertar nossa consciência para uma realidade humanista que crie uma parceria com nossos alunos, conscientizando-os de que, somente com o espírito livre e aberto para receber o “outro”, poderemos configurar ações positivas. É indispensável prevalecer, em todas essas abordagens, a moral e a ética. Em resumo, educação compartilhada exige reciprocidade, respeito e atuação conjunta em todas as áreas do conhecimento e na formação aprimorada dos caracteres que formam a personalidade. A fim de contribuir para o aperfeiçoamento integral da personalidade do aluno, nossa equipe está sempre atenta para evitar o bullying e identifica equilibradamente aqueles que apresentam transtorno de déficit de atenção. Segundo a Drª em Ciências Psicológicas, Josefina Lopes Hurtado, “a concepção de Vygotsky sobre a psiquê humana se revela como um processo histórico e culturalmente condicionado; cada fenômeno ou processo só pode ser entendido, analisando-o durante seu desenvolvimento, no contexto histórico em que ocorre e nas condições culturais em que se produz. Dessa maneira, não é possível analisar da mesma forma o desenvolvimento do pensamento de uma criança e suas relações com a linguagem na primeira etapa histórica e na era atual da computação e da informática. Por outro lado, para analisar esses processos, é necessário considerar também as condições socioculturais de vida que os condicionam; não se pode esperar de uma criança que vive nas condições de uma capital desenvolvida de um país como a Suécia o mesmo que se espera de uma criança que vive em regiões distantes do Amazonas; embora isso não implique que possam ser semelhantes se transformarem as ditas condições de vida”. (prólogo do livro Pensamiento y Linguage , p.2). Segundo Vasco Pedro Moreto, “somos a sociedade do conhecimento, tem poder quem tem domínio do socialmente construído e é capaz de gerar tecnologias cada vez mais ‘inteligentes' e eficientes, capazes de substituir o homem em seu trabalho profissional, geradoras de problemas sociais que redefinem o perfil do novo profissional do início do milênio”. Para ele, “diante dessa característica da nova sociedade, emerge o grande papel da escola: ajudar a preparar gerentes da informação e não meros acumuladores de dados”. A partir das concepções apresentadas, a sala de aula passa a ter grande importância para a tomada de novos rumos da educação brasileira. Temos consciência da contribuição do Colégio Marília Mattoso para a vida de cada indivíduo de nossa comunidade e plena convicção de estarmos acendendo a luz da esperança para crianças e jovens poderem sair de um mundo onde predomina a cegueira do conhecimento. O empreendedorismo é parte integrante do processo educativo. Fizemos citações desses teóricos e educadores porque são coincidentes com muitos aspectos de nossa proposta educacional. Entretanto, em nenhum momento abraçamos integralmente suas ideias. O Colégio Marília Mattoso não adota uma linha teórica específica para transmitir conhecimento. Defendemos a integração entre as várias teorias, proporcionando a implementação de uma metodologia que facilite a realização racional da aprendizagem. Buscamos, continuamente, a renovação de ideias que, em conjunto com a equipe pedagógica e o corpo docente, faz evoluir, com consistência, o processo ensino-aprendizagem. Objetivamos uma escola dinâmica e energizada onde o aluno é o centro desse processo, sendo sempre incentivado a tornar-se crítico e criativo. Dessa forma, estaremos abertos a novas e permanentes conquistas, projetando uma escola voltada para o tempo presente. O Colégio Marília Mattoso tem um caráter conteudista, sempre se preocupando com o desenvolvimento intelectual, cultural e do raciocínio do aluno. Enfatizamos esse posicionamento porque entendemos que o educando somente construirá seu conhecimento se lhe proporcionarmos uma base sólida para que possa ampliá-lo por si mesmo, facilitando um ajustamento psicoemocional ao longo de sua vida. Em todas as ações pedagógicas também incluímos conceituações da teoria construtivista e abordagens de Howard Gardner sobre as inteligências múltiplas. Segundo ele, “as inteligências múltiplas não devem ser o objetivo de uma escola. O papel delas é funcionar como instrumento para alcançar objetivos educacionais. Se alguém quiser educar crianças que saibam, por exemplo, relacionar-se bem, precisa desenvolver as inteligências pessoais dessas crianças”. Ao desejarmos uma educação voltada para nosso tempo, nada mais adequado do que recorrermos a M.V.C. Jeffreys para defini-la: “O professor tem o sagrado dever de respeitar a legítima autonomia de seus alunos como indivíduos, o que não significa que ele deve se manter ao lado, jamais expressando suas próprias e firmes opiniões. Significa que ele jamais deverá se valer de meios ilegítimos para influenciar a mente dos alunos. São legítimos os meios que estimulem a atividade mental e ilegítimos aqueles que a anestesiam. O professor deve fazer o que estiver a seu alcance para ajudar os seus alunos em sua sincera busca da verdade, quer terminem, ou não, concordando com eles.” Nunca subestimamos a capacidade intelectual de nossos alunos. Defendemos a teoria de que o aluno constrói o conhecimento por meio de ações efetivas ou mentais que realiza sobre conteúdos de aprendizagem, solidificados socialmente. Valorizamos o trabalho individualizado, a atenção, a concentração e, consequentemente, a participação efetiva. Sabendo da importância do contexto sociocultural de nossos alunos, incentivamos sua relação com a escrita e a oralidade através de oficinas de textos, de estudos e pesquisas permanentes na biblioteca e organização dos trabalhos escolares em bases coletivas. O Colégio, juntamente com as famílias, deve preparar moral e intelectualmente o educando para poder desempenhar dignamente seu papel na sociedade. Somente através da integração família-escola-sociedade é que se pode dar ao aluno a oportunidade de construir, com sucesso, seu conhecimento. Nossa preocupação maior é a de evitar o fracasso escolar; dessa forma, entendemos que a participação da família é fator fundamental para a superação de possíveis insucessos. O verdadeiro sentido de aprendizagem está relacionado à interação do educando com o mundo, o que certamente provocará nele constantes questionamentos, tanto psicológicos como existenciais. Um colégio que se propõe a educar tem de ter uma equipe de professores e orientadores preparada para detectar alterações no comportamento de seus alunos e acompanhar, com frequência, o desempenho individualizado de cada um. A construção do conhecimento deve ser entendida como parte integrante da educação e servir de ponto de partida para as variadas metodologias a ela relacionadas. Se antes apenas destacávamos a educação como fundamental na formação intelectual de um povo, atualmente temos também de privilegiar o conhecimento e reconhecê-lo como grande meio a ser utilizado em todos os setores da atuação do ser humano para que desempenhe, ética e dignamente, sua função social. Estamos certos de que o século XXI será o século da superação de barreiras que impedem a convivência pacífica entre as nações. Por isso, nós, educadores, que temos grandes responsabilidades sociais nesse processo, devemos impedir que essa oportunidade se perca por omissão ou qualquer postura equivocada de nossa proposta pedagógica. |
||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||