Prof. Joseph Razouk Junior

Estamos nos aproximando do final do ano letivo e, junto com ele, vêm também as famosas “provas finais” ou ainda a “recuperação”. Há alunos que, durante todo o ano, tiveram a preocupação e o envolvimento necessário para obter sucesso em tudo que fizeram. Caminharam tranquilamente entre as disciplinas, textos para leitura, tarefas, trabalhos, estudos diários para as avaliações. Enfim, tiveram uma postura ativa no seu processo de escolarização, estiveram literalmente imersos nos estudos, sem deixar de lado sua vida social e familiar, também muito importantes.

Mesmo que não seja essa a realidade de todos os alunos, creio que seja papel da escola e da família incentivar e propiciar a todos, momentos que possibilitem a construção de conhecimentos que serão importantes agora e em situações futuras. Temos ainda as últimas semanas do quarto bimestre, que parece ficar fragilizado quando alguns já se consideram na série seguinte e o esquecem, e outros se consideram derrotados e nada fazem para solucionar o problema.

Não acredito nessas posições, até mesmo porque, ao pensarmos em processo de escolarização, devemos lembrar que há um parâmetro que define algumas idades e seriações, mas isso não significa que uma derrota em alguma série seja uma derrota na vida.

Os calendários escolares estão organizados de maneira que todos os 200 dias de aula (no mínimo) têm sua importância. O quarto bimestre é tão importante quanto o primeiro ou outro qualquer, pois nele há conteúdos necessários para as demais séries. Portanto, desistir dele ou ignorá-lo é no mínimo fugir de uma batalha que não acabou e que pode se transformar em vitória.

Dentro desse panorama, cabe-nos refletir que, se a escola está organizada em séries, em bimestres, em disciplinas e em conteúdos, isso não significa que as aprendizagens sejam fragmentadas. Devemos entender que, ao aprendermos determinados conteúdos, em determinadas disciplinas e séries, estes não devem ter um fim em si mesmos, mas nos remeter à sua utilização para a resolução de nossos problemas e para melhor entendermos o mundo em que vivemos e nele interferirmos. É para isso que eles servem. Pensarmos em conteúdos como se estivessem somente atrelados a um determinado bimestre e disciplina é simplesmente negar todos os seus valores culturais, históricos e também toda a contribuição que podem dar para a transformação da sociedade.

Ainda nessa perspectiva, passamos a compreender que não há disciplina mais ou menos importante, tampouco mais ou menos difícil, mas que os objetos de estudo de cada uma se complementam e nos fornecem referenciais importantes, da mesma forma que não há uma série mais “puxada” que a outra, apenas diferente, com objetivos diversos que respeitam a maturidade e as condições necessárias para determinadas aprendizagens.

Com essa rede de informações que vamos tecendo no espaço escolar e em outros, e vivenciando no cotidiano, vamos também construindo nossa caminhada entre novos conhecimentos, que dão oportunidade para nosso aprimoramento pessoal.